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A SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE SUMARÉ COMO MOTOR DO DESEMPENHO ECONÔMICO EM 2025 E AS PERSPECTIVAS ESTRATÉGICAS PARA 2026

Luiz Carlos Luciano: Economista da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Município de Sumaré, Contador, Pós Graduado em Contabilidade Gerencial e Controladoria, Professor de Matemática e Especialista em Gestão Pública pela UNICAMP. Foi Secretário de Finanças e Orçamento de Sumaré-SP no período de 2005 a 2012.

Editor
30/12/2025 09:21
A SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE SUMARÉ COMO MOTOR DO DESEMPENHO ECONÔMICO EM 2025 E AS PERSPECTIVAS ESTRATÉGICAS PARA 2026

 O desempenho econômico de Sumaré ao longo de 2025 não pode ser compreendido sem uma análise aprofundada do papel exercido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Em um contexto marcado por transformações estruturais no mercado de trabalho, desafios externos no comércio internacional e necessidade de modernização produtiva. A Secretaria consolidou-se como um dos principais vetores de crescimento, geração de emprego, fortalecimento do empreendedorismo e articulação do ecossistema econômico local. Os resultados observados em 2025 demonstram que as políticas públicas adotadas foram além da conjuntura favorável: elas estruturaram bases sólidas para um ciclo sustentável de desenvolvimento, com reflexos diretos nos indicadores de emprego, renda, crédito produtivo, comércio exterior e apoio aos pequenos negócios. Ao longo de 2025, Sumaré viveu uma verdadeira virada histórica no mercado de trabalho. O município alcançou, em outubro, a menor taxa de desemprego da Região Metropolitana de Campinas, com apenas 1,433%, desempenho significativamente superior à média nacional. Esse resultado não foi pontual, mas fruto de uma trajetória de crescimento contínuo, sustentada por ações coordenadas da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Os dados do CAGED evidenciam um dinamismo raro: somente entre julho e outubro de 2025 foram criados 3.248 novos postos formais, um crescimento superior a 1.244% no período. Em agosto, Sumaré liderou a geração de empregos na RMC, respondendo por quase 29% do saldo regional, superando inclusive Campinas. No acumulado de janeiro a agosto, o município consolidou-se como a segunda cidade que mais gerou empregos formais na região. Esse desempenho reflete uma economia diversificada, onde o setor de serviços assumiu papel central na geração de vagas, sem perder a relevância histórica da indústria e do comércio. A forte absorção de jovens e mulheres no mercado de trabalho indica, ainda, avanços sociais importantes, alinhados a um modelo de crescimento mais inclusivo. A atuação integrada do SEBRAE, do Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) e do Banco do Povo Paulista (BPP), sob coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, foi determinante para os resultados alcançados. Em 2025, até o mês de novembro, o SEBRAE Sumaré realizou quase 5.285 atendimentos, com forte foco em microempreendedores individuais e pessoas físicas em processo de formalização. Esse trabalho contribuiu diretamente para a sustentabilidade dos pequenos negócios, melhoria da gestão empresarial e fortalecimento da cultura empreendedora local. O PAT, por sua vez, destacou-se pela eficiência na intermediação de mão de obra. Mais de 11.219 atendimentos, 3.378 vagas captadas e 515 colocações efetivas demonstram o impacto direto da política pública de emprego na economia municipal. É particularmente relevante o fato de que essas colocações representaram 10,61% do saldo formal de empregos no período de janeira a outubro, ou seja, mês da última divulgação dos números do CAGED, evidenciando a contribuição concreta da Secretaria para os números positivos do mercado de trabalho. Já o Banco do Povo de Sumaré apresentou, em 2025, o melhor desempenho da sua série histórica. Até o dia 19 de dezembro, último dia de expediente da prefeitura, foram desembolsados R$ 1,025 milhões em microcrédito produtivo, o que corresponde a mais de 36,30% de todo o volume concedido desde 2017, ou seja, R$ 2,824 milhões. Esse resultado confirma o amadurecimento do ambiente empreendedor local e a eficiência da gestão do programa, que passou a desempenhar papel estratégico na inclusão produtiva, especialmente entre pequenos negócios e empreendimentos em fase de expansão. Outro eixo relevante da atuação da Secretaria foi o acompanhamento e a análise do comércio exterior. De janeiro a novembro de 2025, Sumaré movimentou mais de US$ 1,34 bilhão em corrente de comércio, reforçando sua posição como polo industrial e logístico da RMC. O crescimento das importações, longe de representar fragilidade, reflete expansão produtiva e maior integração às cadeias globais de valor. Mesmo diante de barreiras externas, como a imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos, o município demonstrou capacidade de adaptação, diversificando mercados e fortalecendo relações com países europeus e latinoamericanos. Esse comportamento evidencia maturidade do parque industrial local e reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à inteligência econômica e à integração produtiva, com o objetivo de melhorar ainda mais o comércio exterior. Apesar dos excelentes indicadores de emprego e desemprego, Sumaré enfrenta um desafio estrutural relevante: o elevado nível de informalidade, superior à média nacional, um fator preponderante para este cenário é a baixa escolaridade. Esse dado reforça a importância de políticas públicas voltadas à formalização, qualificação profissional e modernização regulatória, áreas nas quais a Secretaria de Desenvolvimento Econômico já atua, mas que exigirão aprofundamento em 2026. Com base nos resultados de 2025, o ano de 2026 apresenta-se como uma oportunidade estratégica para avançar qualitativamente no desenvolvimento econômico de Sumaré em todos os segmentos: comércio, indústria, serviços e agropecuária. Nesse contexto, destaca-se como imperativo o projeto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de desenvolver um estudo aprofundado sobre as cadeias produtivas locais. A proposta de mapear as atividades econômicas a partir da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) permitirá identificar empresas e setores que podem se comunicar entre si, criando sinergias produtivas por meio de comércio interempresarial, compartilhamento de estoques, logística integrada, compras coletivas, inovação colaborativa e redução de custos operacionais. Esse estudo permitirá identificar gargalos e oportunidades nas cadeias industriais, comerciais e de serviços, estimular a formação de arranjos produtivos locais (APLs), reduzir a dependência de insumos externos por meio do fortalecimento de fornecedores locais. Apoiar a formalização de negócios atualmente inseridos na informalidade e integrar, de forma mais eficiente, as políticas públicas de crédito, qualificação profissional e inovação tecnológica, criando um ambiente econômico mais articulado, competitivo e sustentável para o município de Sumaré. Ao alinhar os dados de CNAE com informações de emprego, crédito, comércio exterior e consumo local, a Secretaria poderá construir uma política de desenvolvimento baseada em evidências, aumentando a produtividade, a competitividade e a resiliência econômica do município. O desempenho econômico de Sumaré em 2025 é resultado direto de uma atuação estratégica, técnica e integrada da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Os números expressivos de geração de empregos, fortalecimento do empreendedorismo, expansão do microcrédito e inserção internacional confirmam que o município vive um ciclo virtuoso de crescimento. Mais do que responder à conjuntura, a Secretaria prepara o futuro. Ao projetar para 2026 ações estruturantes, como o estudo das cadeias produtivas locais via CNAE, Sumaré dá um passo decisivo rumo a um modelo de desenvolvimento mais inteligente, integrado e sustentável. À luz dos números do PIB de 2021, último ano divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) os impactos potenciais desse estudo tornam-se ainda mais evidentes. Naquele ano, Sumaré alcançou um PIB de R$ 16,180 bilhões, com crescimento expressivo de 13,22% após o período mais crítico da pandemia, posicionandose como a 5ª maior economia da Região Metropolitana de Campinas e respondendo por cerca de 0,21% do PIB nacional. A estruturação e integração das cadeias produtivas locais tendem a ampliar esse desempenho, ao elevar o valor agregado da produção industrial, comercial e de serviços, reduzir custos operacionais e estimular a substituição de importações por fornecedores locais. Com isso, o município poderá não apenas sustentar taxas de crescimento semelhantes às observadas em 2021, mas também melhorar sua posição relativa no ranking regional e estadual, consolidando o PIB de Sumaré como um dos pilares do desenvolvimento económico da RMC. Assim, a cidade consolida-se não apenas como um polo econômico relevante da Região Metropolitana de Campinas, mas como referência em gestão pública orientada para resultados, inovação e inclusão produtiva.